sábado, 17 de novembro de 2007

PECADOS

Seu sorriso é tão belo

Que me esqueço e peco,

Peco no olhar, peco no sentir,

Peco ao desejar, peco ao te despir

Tento me esconder em palavras malditas

Tento disfarçar o desejo de te possuir

Tento fugir, sim tento fugir

Para em tuas mãos, não ousar de cair

Mas retorno ao ponto de partida

Imagino uma nova vida

Penso se seria igual a foto

Tua futura barriga.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

ODISSEIA

Entendo o teu silêncio

Como um grito temido

Escondo-me em outros seios

Com medo de ser visto

Torturo-me em palavras

Desabadas num papel

Invento mil estórias,

Pseudo inferno e céu

Desvendo-me em lágrimas frias

Encontro minha casa

Após mil dias

Derramo meus sonhos no travesseiro

Vago sozinho, perdido

Pelo mundo inteiro

E enfim encontro-te no escuro

No ermo e triste fim do absurdo

Aceito perder os teus sorrisos

Suicido-me por não aceitar sacrifícios

terça-feira, 13 de novembro de 2007

LOUCURA?!?!?!

E eu não sabia
o que fazer
quando a morte gritou com a vida
fingindo não a conhecer

E permaneci perdido
num mundo de anjos e diabos
minha razão eu perdi
em troca de um só cigarro

E agora o que fazer?
O que pensar? O que pedir?
O que tentar ser?
se da loucura não posso sair

sábado, 10 de novembro de 2007

CONVERSA DE UMA VIAGEM

Só existe um corredor entre eles.

H: - Loucura?
M: - Talvez...
H: - Por que talvez?
M: - Eu não sei...
H: - Como não???
M: - Você é raro em um milhão...
H: - Verdade?
M: - Mentira pra tua vaidade...
H: - Mas por que o interesse?
M: - Não há...
H: - E por que se esconde?
M: - Não fiz...
H: - Mas eu vi!
M: - O quê?
H: - Tua mão...
M: - E por quê?
H: - Porque quis...
M: - Assim tão simples?
H: - Sim...

domingo, 4 de novembro de 2007

CHUVA

E de repente a chuva cai
e nenhuma lágrima vai
interromper o amor
que tão cedo se esvai
que tão tarde nos trai

e de repente a chuva cessa
e a luz pastel adentra
o quarto agora vazio
pára na metade do corredor
e continua deixando no escuro
aquele que se declarava amor

sábado, 27 de outubro de 2007

SOMENTE MINUTOS

Me perco nos minutos
invado caminhos absurdos
busco o que nunca existiu
procuro ser aquele estranho
que jamais me viu

Entendo tuas palavras
das formas mais variadas
não sei o que achar
não sinto mais nada

E na cama, que agora é fria,
sofro com a dor da ferida
não me perguntei o que faria
se pudesse escapar da vida

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A PROFECIA de CELESTINA

Dizem que a profecia certa
é a profecia Celestina,
então, resolvi procurar
Dona Celestina no sertão
encontrei-a já de cabelos brancos,
já sem dente em seu bocão
perguntei-a sobre a vida
e também sobre este mundão

"Ouvi dizer há muito tempo
que o que mais importa na vida
é o amor da menina
que te espera no portão,
se sentando no sofá vendo televisão
sobre o mundo é mais profundo
por que o mar é tão raso?
Por que o céu é tão fundo?
são respostas que ninguém mais
vai poder dizer ao mundo"

Insistindo em me informar
não deixei de perguntar
qual menina era a minha?
Qual seria o meu lar?

"Vá falar com a Quitéria
que mora do lado de lá,
minha profecia é filosofia
se quer ver mais, vai macumbá".