domingo, 5 de agosto de 2007

PARA ELA

E na noite passada,
eu sonhei com ela
não foi quase nada
mas estava mais linda e singela

um "oi" bem simples, sutil
fiquei como um gato assustado
quieto num canto, amoado
ousando, por vezes, um toque viril
com as pequeninas e frágeis patas

E naquele sonho da noite passada
um novo mundo quis se revelar
uma nova paixão quis pular
do meu peito vazio e triste

E ela era incontrolável,
se revelou, ousou
nasceu, cresceu e
finalmente, por inteiro, me tomou

sábado, 4 de agosto de 2007

DE MAIS NINGUEM

E a noite começou
com a lua se escondendo de mim
já perdido e esquecido
encontrei o teu sorriso
tão lindo, esplendoroso
tão simples, carinhoso
tão encantador, dengoso

e de repente me vi apaixonado
pela lua que pensei
ter me abandonado.
Quando percebi,
rogava, em silêncio confessional,
por um beijo dela
mas já me bastava a presença
o olhar decidido, a alma que não era minha
assim como a minha não vai ser
de mais ninguem

sábado, 28 de julho de 2007

VENCIDO

Então eu me dei por vencido
chorei pelo fracasso
e não por ter perdido
chorei por desisitir
chorei por não ter visto
o que deveria ter sido
o momento único, exclusivo

Logo o tempo vai passar
e o que hoje é uma angústia
para trás vai ficar
e o medo que me cerca não vingará
e a certeza dos teus lábios se findará

domingo, 1 de julho de 2007

FALTA

E agora eu vejo que falta faz
ter você ao lado
ter um pouco de paz
ter um domingo em casa
com manha e pipoca,
com o guaraná ou a coca,
com o filme ou o besta programa de tv,
com os sonhos unidos pelo travesseiro,
com o barulho distante do chuveiro,
com os pés se acariciando independentes,
com a visão da pasta e da escova de dentes

E agora vejo a falta que faz
a saudade do que não tenho,
a verdade que nunca tive,
o amor que sempre sonhei,
o travesseiro ainda sozinho
e a paixão que não me apaixonei.

domingo, 10 de junho de 2007

SER

Me pergunto por quê?
Logo vejo não ter respostas
para questões tão insólitas
quanto as de viver
me pergunto para onde vou
e permaneço sem saber
queria ser somente o que sou
queria somente ser o meu ser
Sou sé um contador de história
no âmago de seu desespero
uma guimba de discórdia
plantada sob o travesseiro

sábado, 9 de junho de 2007

ABSURDO

Venho aqui e fujo do mundo
me cerco de proteções contra tudo
amargo o doce da manhã seguinte
torturo meu coração com requinte
vou até a rua e cega-me a claridade
surdo fico com mil barulhos
já não sei mais o que é verdade
já não sei mais o que é absurdo

Venho aqui e grito a todos
o que sinto pelo mundo
com muito desgosto
não sei mais o que vivo
não sei mais o que penso
a alma em desespero, o corpo imundo
o doce da manhã, ainda sinto o gosto
não sei mais quem és tu
não sei mais quem sou eu

sexta-feira, 8 de junho de 2007

O SORRISO DA ROSA

E aquela rosa
que de teus cabelos pendia
ainda que morta
era viva, reluzia

E aquele sorriso
que de teu rosto escapou
ainda que simples
foi único e durou

E aquele olhar
cabisbaixo e fugidio
ainda me inspira
de forma singular