sábado, 28 de julho de 2007

VENCIDO

Então eu me dei por vencido
chorei pelo fracasso
e não por ter perdido
chorei por desisitir
chorei por não ter visto
o que deveria ter sido
o momento único, exclusivo

Logo o tempo vai passar
e o que hoje é uma angústia
para trás vai ficar
e o medo que me cerca não vingará
e a certeza dos teus lábios se findará

domingo, 1 de julho de 2007

FALTA

E agora eu vejo que falta faz
ter você ao lado
ter um pouco de paz
ter um domingo em casa
com manha e pipoca,
com o guaraná ou a coca,
com o filme ou o besta programa de tv,
com os sonhos unidos pelo travesseiro,
com o barulho distante do chuveiro,
com os pés se acariciando independentes,
com a visão da pasta e da escova de dentes

E agora vejo a falta que faz
a saudade do que não tenho,
a verdade que nunca tive,
o amor que sempre sonhei,
o travesseiro ainda sozinho
e a paixão que não me apaixonei.

domingo, 10 de junho de 2007

SER

Me pergunto por quê?
Logo vejo não ter respostas
para questões tão insólitas
quanto as de viver
me pergunto para onde vou
e permaneço sem saber
queria ser somente o que sou
queria somente ser o meu ser
Sou sé um contador de história
no âmago de seu desespero
uma guimba de discórdia
plantada sob o travesseiro

sábado, 9 de junho de 2007

ABSURDO

Venho aqui e fujo do mundo
me cerco de proteções contra tudo
amargo o doce da manhã seguinte
torturo meu coração com requinte
vou até a rua e cega-me a claridade
surdo fico com mil barulhos
já não sei mais o que é verdade
já não sei mais o que é absurdo

Venho aqui e grito a todos
o que sinto pelo mundo
com muito desgosto
não sei mais o que vivo
não sei mais o que penso
a alma em desespero, o corpo imundo
o doce da manhã, ainda sinto o gosto
não sei mais quem és tu
não sei mais quem sou eu

sexta-feira, 8 de junho de 2007

O SORRISO DA ROSA

E aquela rosa
que de teus cabelos pendia
ainda que morta
era viva, reluzia

E aquele sorriso
que de teu rosto escapou
ainda que simples
foi único e durou

E aquele olhar
cabisbaixo e fugidio
ainda me inspira
de forma singular

quinta-feira, 31 de maio de 2007

ASSIM

É assim,
As belezas simples são mais belas
a alegria triste é mais completa
A saudade presente vale a pena

Sempre assim
Os sorrisos com covinhas são mais bonitos
O silêncio diz mais que um forte grito
Te amar é tão bom que repito

Um dia vou saber como fazer
como viver, como esquecer
como renascer sem morrer
como apaixonar sem amar

Mas é sempre assim
o coração ferido é mais vivo
as lágrimas hesitantes, o que sinto
as verdades espontâneas são as que minto

domingo, 27 de maio de 2007

O GATO NO TELHADO

O gato subiu no telhado
para ver sua amada?
para ficar fazendo nada?
para deitar a espera da caça?
para não ser a caça?

O gato subiu no telhado
olhar triste, todo amoado
se deitou em um canto e
não queria companhia,
não queria papo

O gato subiu no telhado
e viu o pôr-do-Sol,
lembrou da amada
e passou o resto da noite
sem fazer mais nada.